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O  fã do  Waldick

O mais que popular sumeense Toinho de Zé Antonio, além de ser o dono de um dos bares mais antigos e tradicionais da cidade, assume orgulhosamente a característica de ser fã incondicional do cantor Waldick Soriano. 

Estivemos no seu bar na manhã de 12.05.2002, domingo, quando ele nos concedeu esta entrevista e mostrou, principalmente, uma grande força de vontade em superar os problemas da vida e uma incrível alegria de viver. Descobrimos que o Waldick Soriano tem muito a ver com esse seu equilíbrio. Saímos convencidos, também,  que Toinho tem muito o que ensinar a todos nós.

Sabemos que Toinho foi pego caçando aves sem permissão por agentes da Polícia Federal. Conforme ficou no processo, o policial se sentiu ameaçado porque ele não largou a espingarda e atirou em sua perna, a qual teve que ser amputada. Mas isso em nada diminuiu o seu anseio de viver. Comprou um fusquinha adaptado e agora, combinando mais com o seu estilo, possui um possante Opala. Deixemos Toinho falar.

 

Toinho de Zé Antonio, Maria de Pretinha e Waldick Soriano, na sua primeira visita a Sumé. Toinho em seu bar, com o seu inseparável chapéu, já sem uma perna, acariciando a pata da sua cachorra. Show em Sumé, quando Waldick não teve condições de se apresentar e Maurício Reis foi quem tocou o barco sozinho (veja entrevista abaixo).

 

SONIELSON - Quando e como começou essa sua paixão pelo Waldick?

TOINHO - Desde criança eu sempre gostei de música, com 12, 13 anos de idade. Waldick pra mim é o cantor que existe. Muitos não gostam, mas se eu tiver uma raiva e escutá-lo, eu me acalmo. Não sei se é porque eu sempre fui a ovelha negra da família. Quando Pai resolvia baixar o cacete era em mim que caía. Então eu ia pra debaixo das castanholas e pedia a Ivo, da Difusora, para botar o disco do Waldick.

S - Você tem muitos discos dele? 

T - Eu tinha a coleção quase toda, aí um cabra roubou, com tudo. Daí eu criei raiva e não comprei mais. Mas os meus amigos compram para mim em São Paulo, meus irmãos, sabe?, e mandam pra mim. Tenho vários CD's dele, camisetas, fotos...

S - E nas vezes que ele veio a Sumé?

T - Ele veio duas vezes para Sumé. A primeira não contou porque ele estava muito bêbado e sem fala, quem levou o show foi o Maurício Reis. Mas na segunda vez, não, ele cantou e cantou bem.

S - Qual foi a emoção de se encontrar com o ídolo? 

T - Me encontrei com ele nas duas vezes. A emoção foi grande demais. E tirar foto com ele, abraçado... Porque uma coisa é assistir ao show, que já tinha assistido muitas vezes. Mas outra coisa é falar pessoalmente com ele.

S - Você já tinha assistido ele antes? 

T - Já. Por aí a fora, Pernambuco, e em São Paulo também. Da segunda vez que ele veio pra Sumé, eu saí acompanhando os shows dele em Monteiro, Sertânia, São José do Egito e fui parar em Afogados da Ingazeira. Ele agora deixou de beber e está cantando bem. Fez duas pontes de safena e deixou de beber, esta semana mesmo ele saiu na [TV] Record.

Toinho e seu Opala adaptado.                                  

S - Você lembra algum fato que envolveu o Waldick e que marcou a sua vida?

T - O que eu lamento é não ter ido para a festa brega de Areia. Uma vez eu ia para São Paulo... Ia meio atrapalhado, não sabe?, por causa da cachaça. Quando chequei em Susano parei para almoçar. Aí botaram A Pretendida, de Waldick Soriano. Aí eu meti a cara na cachaça e não sei aonde fui parar. Waldick marcou a minha vida. No tempo da ignorância, meu pai me botou pra fora de casa, por causa da cachaça, e eu dormia no mato, debaixo das algarobas, mamãe levava o meu comer, e aí eu passei a gostar do Waldick. Naquele tempo eu acordava às três horas da manhã e ia bater tijolo. Ia Netinho, meu irmão, ele cantando as músicas de Orlando Dias e eu as de Waldick Soriano. Quando o meu pai chegava, contava os tijolos, e dizia: Tão faltando cinqüenta, só sai quando completar! Era o meu divertimento. Hoje, não, é bom. É video game. O menino chega e diz: Pai, me dê dinheiro pro video game... Hoje o povo passa e me vê cantando as músicas de Waldick Soriano e pergunta: Como é que pode? Tú, em cima de uma caeira, batendo tijolos, com uma perna só e ainda cantando? Aí eu respondo: Ôxente, e eu vou chorar, é? 

 


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